Evergreen Agriculture: agricultura do futuro

ITW_dennis_garrity.jpgDennis Garrity Presidente da Evergreen Agriculture Partnership, Membro Sénior do Centro Internacional para a Investigação Agroflorestal e Embaixador da UNCCD (Convenção das Nações Unidas para a Luta Contra a Desertificação).

A Evergreen Agriculture Partnership surgiu em 2009 com o intuito de garantir aos pequenos agricultores a capacidade de integrar árvores nos seus sistemas de cultivo. Desta forma, a produtividade e os rendimentos aumentam, ao mesmo tempo que os sistemas agrícolas se tornam mais resilientes no contexto das alterações climáticas.

O que distingue a “Evergreen Agriculture” da agrossilvicultura?

A «Evergreen Agriculture» veio redefinir o que era apelidado de «policultura de árvores». A agrossilvicultura tem sido considerada um tipo de silvicultura e a comunidade agrícola sempre teve tendência a ignorar o potencial das árvores cultivadas em conjunto com outras culturas. Integradas nas sementeiras, caso sejam bem geridas, as árvores são uma fonte de biofertilizantes, reduzem temperaturas, conservam a água da chuva nos solos, produzem madeira para fabricar combustível, material de construção e forragem para o gado.

É um tipo de agricultura mais intensiva que integra árvores nos sistemas de produção vegetal e animal e que pretende sustentar uma cobertura verde dos terrenos. Trata-se de selecionar e incorporar os tipos corretos de árvores e de as gerir bem. Há três tipos principais de «Evergreen Agriculture»: regeneração natural (os agricultores selecionam as árvores que se desenvolvem naturalmente nas terras de cultivo), agricultura de conservação (sem cultivo) com árvores e incorporação de árvores na agricultura convencional.

Quais os principais obstáculos e fatores impulsionadores do sucesso desta iniciativa?

Esta é uma abordagem subvalorizada, mas muito ecológica. A sua importância resulta de vivermos numa era em que as alterações climáticas colocam em risco a segurança alimentar mundial e a subsistência de pequenos agricultores. Os desafios são as atitudes convencionais e constrangimentos técnicos. Os modelos de agricultura «moderna» promovem a tendência para a monocultura, o que caminha na direção oposta à agricultura ecologicamente sã.

Como poderíamos alargar a implementação desta abordagem e que apoio seria necessário?

Cerca de 1,2 milhões de agricultores na Nigéria implementaram sistemas Evergreen Agriculture em mais de 5 milhões ha. É praticada em países como Burquina Faso, Etiópia, Malawi, Mali, Senegal e Zâmbia, entre outros. Organizações internacionais e nacionais, ONG e governos fazem esforços para aplicar estes sistemas. A comunidade científica tem-se unido para colmatar as lacunas de conhecimento e disponibilizar recomendações. Devido às alterações climáticas, o mundo começa a perceber a necessidade de repensar como será a agricultura no futuro. A melhor opção para reduzir emissões de gases com efeito de estufa é capturar carbono nos sistemas agrícolas e a expansão de árvores é uma opção óbvia, garantindo produção, lucro e benefícios ambientais.

É possível aumentar a segurança alimentar e nutricional com um sistema “Evergreen Agriculture”?

A segurança alimentar é um grande desafio, uma vez que as alterações climáticas estão a afetar os agricultores. O desenvolvimento de sistemas agrícolas resilientes é a chave para ultrapassar este desafio. Por isso, a Evergreen Agriculture Partnership foca-se na criação de «sistemas agrícolas inteligentes em termos climáticos». Recentemente, o Centro Internacional para a Investigação Agroflorestal organizou um workshop em Nairobi, conseguindo reunir a União Africana, o Programa Integrado para o Desenvolvimento da Agricultura em África, as principais ONG, bem como representantes nacionais, originando uma Aliança Africana para a Resiliência às Alterações Climáticas com o objetivo de permitir que, em 2025, 25 milhões de agricultores pratiquem uma agricultura resiliente às alterações climáticas.

Anne Perrin



 
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